Festas, Romarias e Feiras Festas, Romarias e Feiras

A riqueza etnográfica do concelho de Vila Verde e do Minho em geral, é o resultado de uma longínqua ocupação do território, de todo um contexto paisagístico e histórico e da forma como o homem se organizou de um ponto de vista económico e social. Um dos elementos que mais a caracterizam é o sentido profundamente religioso dos seus habitantes, que se manifesta em toda a sua maneira de ser e de pensar.

As festas e romarias, em conivência com as feiras, constituem ainda hoje uma das expressões mais visíveis que caracterizam a sua cultura.

No concelho de Vila Verde, localizado no coração do Minho, realizam-se cerca de 150 festas, romarias e feiras, que ocorrem de Janeiro a Dezembro em todas as suas freguesias.

As festas concelhias dedicadas a Santo António na sede do município, as romarias de Nossa Senhora do Alívio em Soutelo, Nossa Senhora do Bom Despacho, em Cervães, e Santo António em Mixões da Serra com a Bênção dos Animais, são as mais conhecidas. Mas todas elas, são a expressão de um passado do qual se pretende preservar e transmitir às novas gerações, formas de viver e sentir, que os padrões actuais tendem a fazer desaparecer.
O município de Vila Verde está fortemente empenhado em contribuir para a preservação desta faceta da vida dos homens e mulheres do concelho, pelo que representa enquanto valor histórico e cultural mas também pelo significado turístico e económico cada vez mais relevante, num contexto de preservação do nosso património cultural e natural.

Estas atividades são oportunidades para visitar o concelho de Vila Verde, conviver com as suas gentes, hospedar-se no conforto familiar do nosso Alojamento de Turismo no Espaço Rural, apreciar os sabores e saberes gastronómicos, visitar o vasto património histórico, cultural e etnográfico enquadrados por uma paisagem que não deixa de surpreender os visitantes pelos seus contrastes e beleza.

 

Feiras Feiras

Feira de Vila Verde

De acordo com Pinho Leal, em "Portugal Antigo e Moderno" de 1886, Vila Verde já tinha uma importante feira em 1706 que se realizava no dia 13 de cada mês, para além da Feira de Gado que, em alternância com Pico de Regalados, se realizava de 15 em 15 dias.
Hoje, estas duas feiras incorporam-se numa só, que se realiza de 15 em 15 dias alternando em Vila Verde e Pico de Regalados, tendo unicamente em Pico de Regalados a componente de Feira de Gado.
A Feira de Vila Verde continua a ter um grande impacto na vida económica e social do concelho. Reúne as características típicas destes acontecimentos em que o movimento, a cor e o som dos pregões se misturam com uma grande diversidade de produtos. Vestuário e calçado, produtos para o lar, alfaias agrícolas e produtos alimentares, como carne, peixe, pão e doçaria, são alguns exemplos.
Embora a presença do plástico e da produção em série se reflita também muito nas feiras, nelas, ainda é possível encontrar alguns produtos de carácter artesanal, bem como produtos de agricultura tradicional. De destacar, enquanto prato emblemático de Vila Verde, é a venda de galos para o saboroso arroz de frango "pica no chão".
Socialmente, a feira continua a ter uma enorme importância pelo facto de proporcionar encontros com vizinhos e amigos que não se vêem no dia a dia. As conversas andam à volta dos assuntos mais variados: o tempo, as colheitas, o nascimento e a morte, os casamentos, as festas e a política nacional e local.

Feira de Santa Luzia

No dia 13 de Dezembro, na Capela de Santo António, que se localiza no centro de Vila Verde, festeja-se o dia de Santa Luzia. Este dia inicia-se com a celebração da Eucaristia à qual se sucedem diversas manifestações de devoção por esta Santa que, no dizer do povo, é a advogada dos olhos.
Os fiéis beijam a imagem da Santa e oferecem donativos que podem ser objetos pessoais, como óculos e fotografias ou imagens em cera geralmente representando o rosto humano. É também um hábito passar um lenço branco pelo rosto da Santa, que, de seguida cada um passa pelos seus próprios olhos.
Junto à Capela decorre uma pequena feira que se carateriza pela venda de produtos agrícolas, em especial os relacionados com a época natalícia: doces tradicionais, figos e outros frutos secos. Importante é também a venda e troca de mel de que decorre actualmente o nome da feira: Feira do Mel ou de Santa Luzia.
Esta festividade, que é sentida em toda a vila, é conhecida desde 1706 e, de acordo com as Memórias Paroquiais, chegou a ser considerada uma das mais importantes do concelho com duração de dois dias.

Feira dos Vinte     

No dia vinte de Janeiro, realiza-se na Vila de Prado a Feira dos Vinte, também conhecida por Feira dos Burros e Feira das Trocas.
Coincide com as festas em honra de S. Sebastião e é motivo de atração de muitos milhares de visitantes. A presença de animais, especialmente cavalos, e os acessórios com eles relacionados, constituem um dos elementos que mais a caraterizam.
De destaque é também a Noite das Provas que consiste na prova de vinhos da última colheita. É uma tradição muito antiga que as populações pretendem preservar.
Os produtos agrícolas e domésticos, o vestuário, os doces e as tascas de comes e bebes, estão também sempre presentes.
Julga-se que esta feira deriva da que D. Dinis estabeleceu, em Prado, em 1307. Por ser a primeira do ano, servia de orientação para os preços que se iriam praticar na compra e venda de gado ao longo do ano.
Em complemento com a Feira de Prado que se realiza todas as Terças-Feiras, constitui um acontecimento, ainda hoje, muito importante para a economia do concelho de Vila Verde.

Festa das Colheitas     

O município de Vila Verde, em colaboração com associações culturais recreativas e desportivas, grupos de folclore, instituições e escolas, realiza todos os anos, no segundo fim-de-semana do mês de Outubro, a Festa das Colheitas "Feira Mostra de Produtos Regionais".
Este evento consiste na organização de um variado conjunto de atividades: um espaço/venda de produtos regionais, colóquios e palestras e exposições sobre diferentes temáticas, mostra de artesanato, concursos sobre produtos locais e divulgação de usos e costumes tradicionais.
O seu principal objetivo é a promoção do concelho, da sua cultura, e dos seus produtos artesanais e agrícolas. O crescente interesse dos agricultores, artesãos, comerciantes e operadores turísticos, tem vindo a projectar este evento na região e junto das comunidades estrangeiras geminadas com Vila Verde.
Naturalmente, os Lenços de Namorados, rendas e bordados constituem um tipo de produtos cuja presença adquire particular destaque, para além da cestaria, brinquedos em madeira, cerâmica e tecelagem. Os visitantes podem assistir ao trabalho dos artesãos, contatá-los e perceber as especificidades técnicas que envolvem a preparação dos diferentes produtos.
Os produtos da agricultura tradicional e biológica e a gastronomia, têm vindo a ganhar cada vez mais um lugar de destaque. Em particular, realizam-se um conjunto de iniciativas para a promoção de determinados produtos, como é o caso da marmelada, do mel, da broa de milho, dos doces típicos, do chouriço e do frango caseiro, através da realização de concursos cada vez mais participados. O gado e a vinha, enquanto produtos de grande importância no concelho, têm também um tratamento especial, tendo em vista a melhoria da qualidade.
O arroz de frango "Pica no chão" constitui a ementa de destaque da feira pois é um dos pratos promovidos nesta iniciativa, acompanhado de sopas tradicionais, para cuja promoção se realiza a festa do "caurdo". Estes "caurdos" são baseados nas receitas tradicionais, muitas delas já desaparecidas da nossa cozinha.

A divulgação de usos e costumes relacionados com a atividade agrícola, constitui também um dos grandes objectivos da feira. Nesse sentido, organiza-se a representação de lendas, desfolhada e malhada de milho, fiada e espadelada de linho.
Os jogos tradicionais, os cantares ao desafio, a música popular portuguesa, a tocata tradicional, os grupos folclóricos, o encontro de concertinas são presenças habituais que os vilaverdenses e visitantes não dispensam.


Feiras Novas

Nos primeiros dias de Novembro, realizam-se na Vila de Pico de Regalados, as Feiras Novas, também conhecidas por Feira dos Santos. Esta Feira Franca tem tradições seculares que remontam ao tempo de D. Dinis.
Nela podemos encontrar os mais variados produtos agrícolas, artigos domésticos e vestuário. No entanto, a grande atracção é a feira do gado, com venda e troca de cavalos, burros e gado bovino. 

As tascas improvisadas de comes e bebes com diversos petiscos tradicionais, nomeadamente, rojões à moda do Minho, papas de sarrabulho, bacalhau frito, iscas de fígado com cebolada, frango e polvo na brasa, caldo verde, acompanhados com o bom vinho verde branco ou tinto da região, são algumas das iguarias com que se deliciam as pessoas da terra e visitantes.
A animação cultural e desportiva também está presente com variadas atividades, nomeadamente, os grupos folclóricos e os cantares ao desafio. As corridas de cavalo, em passo travado e a galope, vão conquistando cada ano mais adeptos.

 

Festas e Romarias Festas e Romarias

Festa de Santo António de Vila Verde 

Decorre o ano de 1195 e, a 15 de Agosto, nasce mais um menino em Lisboa. Batizaram-no com o nome de Fernando de Bulhões. Ninguém podia prever que aquele menino viria a ser conhecido em todo o mundo como Santo.
Com 25 anos de idade, tomou o hábito dos Franciscanos no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde passou a ser conhecido por Frei António.
De facto, não há outro mais famoso, mais requerido e também mais pronto a conceder milagres que Santo António de Lisboa. Apelidado de “Santo casamenteiro”, “protetor dos animais”, “restituidor do desaparecido”,“livrador das tentações demoníacas”, “padroeiro da classe dos comerciantes”, “Santo dos milagres”, a ele tudo se pede não como intercessor, mas como autoridade celestial.
Em Portugal, Santo António é muito popular e um dos mais venerados, mas raramente aparece como orago ou padroeiro das cidades e vilas. Vila Verde não foge à regra e, embora não sendo padroeiro, é o Santo mais venerado.
Sabe-se que, pelo menos desde 1706, é venerado na Capela de Santo António em pleno centro de Vila Verde. As Memórias Paroquiais do Dicionário Geográfico de 1758, que D. José ordenou se fizesse, assim o comprova: “há uma ermida, tem capella chamada de Santo António de Vila Verde… onde… acode romage em dia de Santo António, em dia de Santa Luzia e em dia de S. Braz…”.
Hoje, as festas antoninas continuam a realizar-se e decorrempor vários dias. A elas acorrem milhares de pessoas vindas do norte de Portugal e vizinha Galiza. O dia 13 de Junho é feriado municipal. Os dias que antecedem o 13 de Junho são de preparativos para o acontecimento: os arcos de festa iluminados pelas principais ruas, as diversões para os mais novos, as barracas de farturas, pipocas, as tradicionais tascas de comes e bebes, os vendedores de diversos produtos espalhados pelo arraial e os altifalantes com músicas para vários gostos dão movimento e alegria.
A coexistência de profano e religioso sucede-se ao longo de todos os dias de festejos, constituindo uma das mais ricas expressões da cultura popular que confere fortes e variados motivos de atração.
A Eucaristia, com sermão alusivo a Santo António, a procissão com inúmeros figurantes com especial participação das crianças, os andores decorados com flores naturais, as bandeiras e outros estandartes proporcionam um espectáculo de cores:amarelos, vermelhos, azuis, verdes…
Milhares de devotos incorporam a procissão, em agradecimento por graças concedidas pelo Santo.
Na retaguarda da procissão vão as bandas de música tocando várias peças até à Igreja Matriz. Os transeuntes param e aglomeram-se nos passeios a ver passar a procissão. As penitências, o pagamento de promessas, a oferta de esmola, o beijar a imagem do Santo, são as principais manifestações de fé da população.
Outros tipos de animação ao longo destes dias se vão sucedendo: os grupos de zés p´reiras, gigantones e cabeçudos, anunciam a festa logo pela manhã. O festival internacional de folclore, cantares ao desafio, eventos desportivos, espectáculos musicais com grupos de renome a nível nacional e internacional, concursos diversos, exposições, jogos tradicionais, corridas de cavalos e muitos outros acontecimentos preenchem o programa da festa.
Nas noites de Santo António, o fogo de artifício, a fogueira, as rusgas, as sardinhas assadas, propiciam momentos de convivência espontânea entre todos os presentes até altas horas de madrugada.

 

Romaria de Nossa Senhora do Alívio 

O Santuário de Nossa Senhora do Alívio localiza-se no lugar do Alívio, em Soutelo, junto à EN que liga Vila Verde a Braga.
É um edifício de características muito simples, de planta rectangular, cuja frontaria apresenta duas torres e um frontão triangular encimado pela imagem da Virgem com o Menino.
O interior caracteriza-se pela existência de seis pilastras, entre as quais se abrem grandes janelas que sustêm os arcos que estruturam o tecto em abóbada.
A sua construção, que se iniciou por uma Capela, deve-se ao Reverendo Francisco Leite Fragoas, no cumprimento de uma promessa a Nossa Senhora, na sequência de uma grave doença que o afetou.
O santuário do Alívio é um importante centro de peregrinação, como se comprova pela presença permanente de peregrinos, em especial ao Domingo, dia em que também se realiza uma pequena feira. Porém, os dias mais importantes são o segundo e terceiro domingos de Setembro, altura em que ocorre a romaria em honra de Nossa Senhora do Alívio, na qual as procissões adquirem particular destaque. A procissão do primeiro domingo, que sai do Santuário e ali regressa, carateriza-se pela existência de vários andores, com destaque para o de Nossa Senhora do Alívio e muitos figurantes com bandeiras e outros estandartes. A procissão do segundo domingo é marcada pela concentração dos peregrinos em dois locais distintos: o centro de Vila Verde e o cruzeiro dos Quatro Evangelistas em Soutelo. Destes locais, os peregrinos vão, em procissão, até ao Santuário. Para além das procissões, realiza-se em ambos os dias, missa campal, cumprimento de promessas e feira.
A participação de milhares de pessoas nas diferentes atividades que se realizam nestes dias, constitui a expressão da profunda religiosidade do povo da região, também observável nas ofertas ao Santuário. Ex-votos e iconografia dos mais variados tipos concentram-se na Capela das promessas. De particular destaque é um conjunto de quatro jibóias, uma das quais oferecidas em 1818 por um emigrante no Brasil.

 

Romaria de Nossa Senhora do Bom Despacho

Localizado na freguesia de Cervães, o Santuário de Nossa Senhora do Bom Despacho, foi construído no séc. XVII. A fachada é tipicamente minhota, de contornos simples e harmoniosos, com dois altos campanários. A planta é rectangular e o altar fica situado entre duas grandes rochas que lhe dão um aspecto de gruta. A 10 de Agosto de 1644 foi celebrada a primeira missa.
O fundador deste Santuário foi o eremitão, João da Cruz, natural da freguesia de Bela, em Monção: estando gravemente doente, pediu a cura a Deus e prometeu erguer um altar dedicado à Virgem, caso fosse curado. Com as esmolas que ia recebendo, deu início à construção.
O primeiro domingo de Junho é o dia da festa anual da qual faz parte uma procissão, a missa campal e a feira. Na véspera, a imagem da Senhora é levada para uma Igreja de uma freguesia vizinha, seja do concelho de Vila Verde ou Barcelos.
É a partir daqui que tem início a procissão que vai terminar no Santuário de Nossa Senhora do Bom Despacho.A participação da população na organização desta festa é muito grande. Os diversos lugares da freguesia constroem arcos nas ruas onde vai passar a procissão que são decorados com flores e lenços regionais. No chão, fazem tapetes de flores com motivos vegetalistas e religiosos que, juntamente com os arcos, criam um ambiente de muita cor.
A disputa entre os lugares da freguesia é também uma tradição e manifesta-se na dimensão do arruado, conjunto de arcos construído, e no tapete mais bonito.
No dia da procissão, são colocadas colchas nas janelas, em sinal de devoção, alegria, festa e respeito pela Virgem. Às crianças está atribuída a função de atirarem flores à passagem do andor.
De acordo com a promessa que esteve na origem da construção do Santuário, são fundamentalmente atribuídas à Senhora do Bom Despacho a concessão de graças relacionadas com a saúde. Porém, também lhe são dirigidos pedidos de protecção para a fertilidade e gravidez da mulher e a produção agrícola.

 

Romaria de Santo António Mixões da Serra

O Santuário de Mixões da Serra é dedicado a Santo António, cuja celebração se realiza no dia 13 de Junho. Situa-se em Mixões da Serra, freguesia de Valdreu, na zona mais montanhosa do concelho de Vila Verde e nele se realiza uma das tradições mais emblemáticas da região, que é a Bênção dos animais.
A origem desta tradição está relacionada com a proteção que os pastores pediram a Santo António na sequência de um período em que os rebanhos eram dizimados pelos ataques dos lobos e pela peste. Em sinal de reconhecimento, foi erguida a Capela de Santo António de Mixões da Serra, que viria a dar origem ao atual Santuário, cuja data de construção se desconhece, embora a data inscrita no cruzeiro a que estará associado, seja de 1607.
As festas de Santo António decorrem no dia 13 de Junho, dia em que se realizam diversas actividades religiosas. Porém, o dia mais importante, é o domingo imediatamente anterior. É neste dia que o largo fronteiro do Santuário se enche de milhares de pessoas e animais para participarem na cerimónia da Bênção dos animais.
Desde o nascer do dia, nas regiões adjacentes a Mixões da Serra (concelhos de Vila Verde, Ponte de Lima, Terras de Bouro, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca), encontramos grupos de pessoas e animais enfeitados, que se dirigem em romaria para cumprirem promessas ou pedir a proteção do Santo para os seus animais. Atualmente os animais que participam neste ritual não são só o gado bovino, mas também cavalos, cabras, ovelhas e até cães e gatos.
Um dos elementos que se atribuiu a esta cerimónia especial particularidade é o facto de os animais serem benzidos um a um. De facto, o sacerdote, no final da missa campal, percorre o recinto demoradamente a benzer os animais.Para além da cerimónia da Bênção dos animais, assiste-se também ao cumprimento de promessas de que fazem parte as voltas ao Santuário, de pé ou de joelhos, com imagens de animais em cera e o retiro em oração no interior do Santuário.
A par destes actos religiosos, Santo António de Mixões da Serra enche-se de tascas de comes e bebes, restaurantes improvisados, vendedores de fruta, pão e doces típicos. A animação é assegurada pelos grupos de folclore, cantares ao desafio, bandas de música e uma sessão de fogo de artifício que encerra as festividades.