Professor Machado Vilela Professor Machado Vilela

Biografia

Professor Doutor Álvaro da Costa Machado Vilela, nasceu em 20 de Agosto de 1871, na freguesia de Barbudo. Filho de um casal de agricultores que vivia, tal como as principais famílias regionais, do amanho e direção das terras. Seus pais, D. Custódia Maria da Silva Costa e Manuel José Machado Vilela tiveram onze filhos, sendo Álvaro o mais novo. Entre os seus irmãos destacamos o cónego da Sé de Braga, José António da Costa Machado Vilela, o P. António Luís Costa Machado Vilela e o comerciante e farmacêutico Alberto da Costa Machado Vilela. Dr. Álvaro foi aluno do Colégio de S. Luís, da cidade de Braga, de 1885 a 1889.
Em 1890 matriculou-se na faculdade de Direito de Coimbra onde foi sempre aluno distinto, licenciou-se em 2 de Maio de 1895, defendendo teses nos dias 24 e 25 de Novembro de 1897, recebeu o grau de Doutor em 5 de Dezembro de 1898.
Foi o 1º professor da cadeira de Direito Internacional, criada pela reforma de 1901, na Universidade de Coimbra. Criou a par dos cursos de Direito Internacional Público, a cadeira de Direito Internacional Privado. Entre os seus trabalhos publicados, destacamos “A revisão no processo criminal” em 1897; “Seguros de vida” em 1898; “Lições de Direito Internacional” de 1902 a 1908; ”Estudos sobre a convenção de Haia de Direito Internacional”; “Tratados coletivos sobre Direito Internacional Privado e outros.
Em 1922 por indicação do Governo Português foi nomeado pelo Governo Egípcio para o alto cargo de Juiz dos Tribunais Mistos do Egito, onde exerceu uma notável e prestigiosa ação para Portugal até 1938, ano em que se reformou. Teve também grande atividade, sobretudo através da sua ciência jurídica, movida pelo público nacional.
Foi deputado em 1901, pelo Partido Regenerador , eleito pelo círculo de Alenquer; procurador à câmara corporativa, cujo lugar não aceitou. Recebeu diversos convites para Ministro da Presidência da República, Presidente do Supremo Tribunal, mas tudo rejeitou pelo estudo, nos últimos anos da sua vida, na sua casa de uma solidão bucólica em Barbudo, onde veio a falecer no ano de 1958 e, em cujo cemitério quis ser sepultado.
Do ensino da sua cátedra, saíram gerações e homens de invulgar valor e de projeção na vida nacional, como Oliveira Salazar. Tomou sobre si o principal encargo como primeiro Provedor, de fundar uma misericórdia com o seu hospital, num grande Concelho cuja assistência hospitalar era preciosíssimo. Era um católico intensamente respeitador da Igreja. Conseguiu reformar completamente a Igreja Paroquial. Homem de caráter, trabalhador, incansável, sempre “agarrado” aos livros. Era de moral irrepreensível, solteiro para inteiramente se dedicar ao estudo, ao trabalho e depois à caridade pelos seus conterrâneos.
Apesar dos seus princípios tradicionalmente conservadores, sabia compreender os que não compartilhavam a sua ideologia e não lhes negava a sua amizade.